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Foto: Facebook
WELLINGTON LOPES
É morador da cidade Tiradentes, zona oeste de São Paulo,
rapper do grupo Fantasmas Vermelhos e ativista do Núcleo Cultural Força Ativa.
SARAU AFRO MIX. ANTOLOGIA POÉTICA. Organizador: Quilombhoje. [coordenação Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. Desenho da capa Edmilson Q. Reis. São Paulo: Quilombhoje. Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra. 2009. 80 p. Catalogação na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
ISBN 978-85-87138- 28-7 No. 10 947
Vozes das Ruas!!!
Esta é pra você,
Que acorda cedo e pega lotação, metrô, busão.
Que sobe o escadão na quebrada,
Não por opção.
Que cola com os irmãos
Na rua na missão.
Então se liga na estatística,
Jovens pretos na facul, número menor
Do que aqueles que carregam a bíblia,
Ou aqueles parados pele polícia,
Levados para o presídio, faz fila.
No cemitério mais um caixão
Mais uma vida engolida pelo mundão.
Esta sé pra você que mora nas favelas,
Resistindo, sobrevivendo e que transita pelas vielas.
Na periferia todos os dias, na correria.
Esta é pra você, que mora nas ruas,
Que cata lixo, vende latinha, puxa carroça,
Pra ter um prato de comida.
Esta é pra você, que por falta de opção se prostitui,
Estigmatizada, idolatrada,
Abusada por corpos em crise sexual,
Fabricados e reforçados pela falsa moral.
Esta é pra você que está privado de liberdade,
Encarcerado, algemado.
Propriedade do estado.
Esta é pra você, que anda na lama,
Pisa no barro, joga bola no campo
com os pés descalços
Condenados a viver sem salário,
Improvisado, se á um estudo fraco,
Fantasiado no mundo fetichizado pelo capital.
Com o sonhos de consumo até passa mal,
De quebrada em quebrada prossegue a cena,
Vidas caladas, desperdiçadas,
Encarceradas se assassinadas
pelo sistema racista e capitalista.
Esta é pra você, pra mim, pra nóis da periferia.
Das favelas, dos morros,
Os miseráveis, excluídos, perseguidos,
Rebeldes por várias vias.
Não nos entreguemos, continuemos a viver,
Resistindo de várias formas,
A esse mundo em decadência,
As essa humanidade desumana.
Esta é pra você...
Entre Zumbis e Dandaras!!!
Entre Zumbis e Dandaras, a nossa voz,
que não se cala
Do toque do atabaque,
da capoeira jogada.
Entre Zumbis e Dandaras, quilombos e
quilombolas,
Na referência das lutas eu resgato aqui a história.
Entre conquistas e massacres, escravidão e escravo,
Na rebeldia dos pretos, na casa grande e senzala.
Entre dominação se a catequização,
Matar em nome de Deus e impor a sua religião.
Entre grilhões e correntes, reivindico a liberdade.
Entre becos e vielas é a coação que impera,
Com a polícia do Estado aterrorizando as favelas.
Entre periferias e morros, o povo pede socorro,
Sem o básico pra sobreviver, vivendo no sufoco.
Entre cadeias e grades a extrema direita reage,
Prender criança pra quê? Quer reduzir a idade?
Entre o direito e o dever, fazer política pra quê?
Se para nós tudo é negado, até o direito de viver.
*
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Página publicada em maio de 2026.
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